quinta-feira, 1 de julho de 2010

Sempre eu mesma, mas não sempre a mesma

Ei, pessoas... Obrigadissima pela visita, e mais ainda pela gentileza, é bom saber que de certa forma, minhas palavras tocam algo, despertam, sei lá...
Postarei hoje um poeminha que escrevi durante um curso de escritor (aiii que chique!!) que fiz em São Paulo, eram oficinas com Gabriel Perissé, quem lê sabe de quem se trata, minha homenagem a esse cara brilhante que consegue tirar não só leite de pedra, mas mel e perfume...


Poema-Minuto (ou Bom Dia, São Paulo!)
A borboleta se opõe ao concreto asfalto.
Do alto do prédio, vejo - a vida corre,
decerto por não saber caminhar lento.
Chão cinzento, e céu cinzento, e pessoas
ton-sur-ton com suas fardas e máscaras.
Tudo tão organizado, que não acha lugar
a pergunta: onde o caos se esconde?
De onde me espreita o gênio mau da inquietude?
De onde vemessa vontade oca de ..................
Gritar? Gargalhar? Atravessar a rua sem olhar
para os dois lados? Sacudir a moça da bilheteria do metrô
que não sabe sorrir, talvez porque
aqui não se ri, tudo é tão eficiente e rápido e fácil
que o mais se perde, e secamos por dentro
como folhas de outono, e não há primavera possível
para quem esqueceu:
A borboleta se opõe ao concreto asfalto.
E em suas asas de leveza,
carrega um segredo meu e dela.
(janeiro de 2000)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Repente

Aí vai outro, dos anos 2000, feito durante uma aula de cursinho (sim, eu cabulei aula, confesso... se é uma justificativa, a aula era Geometria Analítica, affff)



Repente
...e o céu prenuncia a tempestade.
E toda a secura, toda a espera,
Todo esse vazio repleto de mil nadas
dentro de mim... e não faz chover.
Tudo que é latente, doce e denso,
Tudo que é vivo, sereno e selvagem
Se confunde em imscíveis cores.
De repente, raios e trovões e ventos.
O céu, de manso azul cinzento que era
reflete agora esse tom púrpura e sanguinolento,
furioso...
E cai a chuva, de tal modo dona de si.
A terra a recebe, como se esperasse há muito
e se abrisse para tal... como a espera doentia
po algo que certamente não viria
e numa bênção aparecesse, de repente...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Um caderninho, tanto sentimento...

Se é pra começar, então um, dois, três, já...
Comecei a escrever quando menina, meio sem querer. Um concurso de redação, em que o tema era o meio ambiente. Pronto, escrevi, venci. Virei uma celebridade-relâmpago em época pré-Big Brother! Conseqüência: a partir de então, me sentia "obrigada" a escrever sempre.
Claro que muita coisa a gente joga fora, minha grande amiga Clarice (sim, a Lispector, minha amiga póstuma com quem jamais pude compartilhar uma tarde de café e fofoca) , pois a Clarice disse: o melhor amigo do escritor é a lata de lixo.

O que ficou de então? Um caderninho, antigo e bem guardado, que eu custava a querer mostrar. E agora, essa se-mostração na web... mistérios!

Vou postando devagar....


A poesia derramada e solta
Eu a catei do solo e enchi as mãos
E se soube dela fazer pão,
Ah... A minha fome não cessa.

E continuo juntando,
Tais folhas de outono, palavras.
Com elas, brinco, rio,
Com elas me conheço e amo.

Poetando lembrando:
Mesmo a dor latejante
Vale um poema-sentido.